A

Fundação Eça de Queiroz é uma instituição de utilidade pública administrativa, sem fins lucrativos, que tem por missão a divulgação e promoção nacional e internacional da obra de Eça de Queiroz. Foi instituída a 9 de Setembro de 1990 por iniciativa de Maria da Graça Salema de Castro, viúva do neto do Escritor, que doou casa, quinta e 2/3 dos bens deixados do Escritor.

Sediada na Casa de Tormes, freguesia de Santa Cruz do Douro, concelho de Baião, na envolvência dos vales poderosamente cavados do Douro, como o próprio Eça a descreve, esta é o cenário real/ficcional da obra literária “A Cidade e as Serras”. Esta casa, constitui-se hoje, como um importante núcleo museológico referente à vida e obra do escritor, quer porque preserva o espólio do escritor, quer porque mantém vivo o cenário que Eça conheceu, de modo a que o visitante se sinta transportado à época em que o romance tem lugar.

Rodeada por um património rico em referências literárias, a FEQ oferece acesso fácil a outros percursos da geografia ficcional ou biográfica, não apenas de Eça de Queiroz, mas de Alves Redol, Camilo Castelo Branco, Miguel Torga e Teixeira de Pascoais, o que lhe faculta uma polaridade cultural rica e promissora.

Quadro cronológico da sua biografia:

N

ascido na Póvoa do Varzim (25 de Novembro de 1845), Eça de Queiroz desenvolveu a sua vida literária entre meados dos anos 1860 e 1900, quando, a 16 de Agosto, morreu em Paris. Nesse lapso temporal, Eça marcou a cena literária portuguesa com uma produção de alta qualidade, parte dela deixada inédita à data da sua morte…

        • Adaptado de: MATOS, A.C. (1988) Diccionário de Eça de Queiroz, Ed. Caminho 1845. Nasce José Maria de Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim. Filho natural do magistrado José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz e D. Carolina Augusta Pereira de Eça, é registado como filho de mãe incógnita. Baptizado em Vila do Conde, viverá até 1855 em Verdemilho, em casa dos avós paternos, apesar de o casamento dos seus pais se ter realizado quatro anos depois do seu nascimento.

        • 1855 É matriculado no Colégio da Lapa, na cidade do Porto, dirigido pelo pai de Ramalho Ortigão. Aí fará a escolaridade obrigatória até ao seu ingresso na Universidade.

        • 1861 Matricula-se no primeiro ano da Faculdade de Direito de Coimbra, onde conheceu Teófilo Braga e Antero de Quental, entre outros.
        • 1866 Envia ao Teatro D. Maria I a tradução de uma peça de José Bouchardy, intitulada Filidor.- Forma-se em Direito e instala-se em Lisboa, em casa dos pais, no Rossio, 26, 4º andar, inscrevendo-se como advogado no Supremo Tribunal de Justiça.

        • Inicia a publicação de folhetins no jornal Gazeta de Portugal num total de dez artigos que serão reunidos no volume Prosas Bárbaras em 1909. Conhece Jaime Batalha Reis na Redacção da Gazeta de Portugal. Parte para Évora no final do ano, onde irá fundar e dirigir o jornal da oposição Distrito de Évora.

        • 1867 Inicia a sua actividade como advogado. Em Julho deixa a direcção do Distrito de Évora, regressa a Lisboa e retoma a sua colaboração na Gazeta de Portugal de Outubro a Dezembro. No final do ano forma-se o «Cenáculo», contando-se Eça de Queiroz entre os primeiros membros; do «Cenáculo» farão parte Antero de Quental, Salomão Saragga, Jaime Batalha Reis, Augusto Fuschini, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, José Fontana, entre outros.

        • 1869 São publicados no jornal Revolução de Setembro os primeloiros versos de Carlos Fradique Mendes, “poeta satânico”, criação conjunta de Eça, Antero e Batalha Reis. Viagem pela Palestina, Síria e Egipto, onde assiste à inauguração do Canal de Suez em companhia de Luís de Castro, conde de Resende.

        • 1870 Regressado a Lisboa, publica no Diário de Notícias os relatos da viagem ao Médio-oriente com o título «De Port-Said a Suez».

        • Publicação no mesmo jornal de O Mistério da Estrada de Sintra, em colaboração com Ramalho Ortigão (de Julho a Setembro).

        • É nomeado Administrador do Concelho de Leiria. Em Setembro presta provas para cônsul de 1ª classe no Ministério dos Negócios Estrangeiros, ficando classificado em primeiro lugar.

        • 1871 É publicado o primeiro número d’As Farpas dirigido por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão.

        • Realizam-se as Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, não se tendo cumprido a totalidade do programa previsto devido à proibição governamental ter impedido a sua continuação. Eça profere a quarta conferência intitulada «A Nova Literatura ou O Realismo como Expressão de Arte».

        • 1872 É nomeado cônsul de 1ª classe nas Antilhas espanholas. No final do ano será empossado no seu cargo em Havana, aí permanecendo durante dois anos.

        • 1873 Viagem pelo Canadá, Estados Unidos e América Central.

        • 1874 Publicação do conto«Singularidades de Uma Rapariga Loura» no Brinde aos senhores assinantes do “Diário de Notícias” para 1873. Transferência para o consulado de Newcastle-upon-Tyne.
        • 1875 Publicação na Revista Ocidental, dirigida por Antero de Quental e Jaime Batalha Reis, da primeira versão de O Crime do Padre Amaro. Conclusão da escrita de O Primo Basilio em Newcastle.

        • 1877 Publicação no jornal portuense A Actualidade das crónicas «Cartas de Inglaterra», mantendo-se a colaboração até 1878.

        • Inícia a escrita de A Capital!, publicada vinte e cinco anos após a sua morte.
        • 1878 Contactos com o editor Chardron apresentando Cenas da Vida Portuguesa, projecto para 12 volumes de novelas.- Publicação de O Primo Basílio (1.’ e 2.’ ed.) – Transferência para o consulado de Bristol. Inicia a sua colaboração com um jornal do Rio de Janeiro, a Gazeta de Notícias, que só terminará em 1897.

    • 1879 Escrita de O conde de Abranhos e de A Catástrofe, publicados em 1925.

    • 1880 Segunda edição em livro de O Crime do Padre Amaro. Publicação da novela O Mandarim em folhentins do Diário de Portugal. Publicação dos contos «Um Poeta Lírico» e «No Moinho», em O Atlântico.

    • 1883 É eleito sócio correspondente da Academia Real das Ciências. Reescreve O Mistério da Estrada de Sintra.

    • 1884 Visita a Costa Nova na companhia da condessa de Resende e das suas filhas Emília e Benedita.

    • Publicação na Revue universelle internationale da tradução francesa de O Mandarim, com um prefácio de Eça, escrito em francês.

    • Segunda edição de O Mistério da Estrada de Sintra.

    • 1885 Visita Zola em Paris. A sua legitimação é tornada oficial pelos pais.

    • 1886 Casamento com Emília de Castro Pamplona (Resende), no oratório particular da Quinta de Santo Ovídio no Porto.

    • Prefacia os livros Azulejos do conde de Arnoso e O Brasileiro Soares de Luís de Magalhães.

    • 1887 Concorre com A Relíquia ao Prémio D. Luís da Academia Real das Ciências, perdendo a favor de Henrique Lopes de Mendonça com a obra O Duque de Viseu. Publicação de A Relíquia.Data provável de escrita de Alves & C.ª.

    • 1888 Nomeado cônsul em Paris. Polémica com Pinheiro Chagas a propósito da atribuição do Prémio D. Luís..

    • Publicação de Os Maias. Publicação no jornal portuense O Repórter, dirigido por Oliveira Martins, de algumas «Cartas de Fradique Mendes». Forma-se em Lisboa o grupo d’Os Vencidos da Vida.
    • 1889 Prefacia o livro de poemas Aguarelas de João Dinis. Sai o primeiro número da Revista de Portugal, de que é director.

    • 1890 Publicação do primeiro volume de Uma Campanha Alegre, reunindo a colaboração de Eça n’As Farpas.

    • 1891 Traduz As Minas de Salomão, de Henry Rider Haggard.

    • 1892 Publicação do conto «Civilização», na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro..

    • 1893 Publica na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro a Crónica «Tema para Versos», que inclui o conto «A Aia» .

    • 1894 Inicia a escrita de A Ilustre Casa de Ramires..

    • Publicação de «As histórias: O Tesouro» e «As histórias: frei Genebro», na Gazeta de Notícias.

    • 1895 Organiza, em colaboração com José Sarmento e Henrique Marques, o Almanaque Enciclopédico para 1896. Publicação de «O Defunto» na Gazeta de Notícias.

    • 1896 Organiza, com os mesmos colaboradores, o Almanaque Enciclopédico para 1897. Publicação de Antero de Quental – In Memoriam em que Eça colabora com o texto «Um génio que era um santo».

    • 1897 Começa a publicação em Paris da Revista Moderna. Nos dois primeiros números publica os contos «A Perfeição» e «José Matias». A Ilustre Casa de Ramires começa a ser publicado na mesma Revista, no número de Novembro, dedicado a Eça de Queiroz.

    • 1898 Publicação na Revista Moderna do conto «O Suave Milagre» .

    • 1899 Prepara, em simultâneo, a publicação de três romances: A correspondência de Fradique Mendes, A Cidade e as Serras e A Ilustre Casa de Ramires.

    • 1900 Morte após prolongada doença a 16 de Agosto, em Neuilly. Em Setembro, o corpo é trasladado para Portugal, realizando-se os funerais para o cemitério do Alto de S. João em Lisboa. Publicação, em volume, já depois da sua morte, de A Correspondência de Fradique Mendes e A Ilustre Casa de Ramires.

 

Cinco obras destacadas:

  • Os Maias
  • A Cidade e as Serras
  • O Crime do Padre Amaro
  • A Reliquia
  • O Primo Basilio

 

 

 

 

Vales lindíssimos, carvalheiras e soutos de castanheiros seculares, quedas de água, pomares, flores, tudo há naquele bendito monte. A quinta está situada num alto, num sítio soberbo, que abrange léguas de horizonte, e sempre interessante. Como terra creio que é excelente (os próprios caseiros o confessam) e tão fértil, que nem quase necessita adubos. Como quinta não é quase habitável – a não ser para quem tenha a agilidade, a constância e a experiência das cabras. É toda em socalcos. Logo adiante da casa, o monte desce até ao Douro; logo por trás da casa, o monte sobe até aos cimos onde há uma ermida. O que sobe e o que desce é tudo admirável de vegetação, de verdura, de águas, de sombras, de belas vistas – mas para passear por lá é quase necessário andar de gatas. Isto não quer dizer que não haja em volta da casa um espaço plano, dez vezes maior talvez do que o nosso jardim de Neuilly, e onde cabem aido, eira, horta, etc.. Mas é uma pena ver logo adiante tão pitorescos e frondosos sítios, e não poder ir lá livremente senão com todas as varas especiais e sapatos ferrados, de que usam os membros do Clube Alpino.(…)

Dá mil e mil beijos aos adorados meninos, de quem sempre me lembrei na excursão ao campo e tu aceita também muitos e muito carinhosos do teu José”

 

Carta a sua Mulher, Sto. Ovidio, Porto, 28 de Maio de 1892, in QUEIROZ, Eça de, Correspondência, (organização de Guilherme Castilho), Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 21983, 2 volumes, pp 232-233

 

  • Bibliografia:
            • MATOS, A. Campos, Organização e Coordenação; Dicionário de Eça de Queiroz, Lisboa, 3º ed., INCM, 2015
            • MATOS, A. Campos, Eça de Queirós – Uma Biografia, Lisboa, Edições Afrontamento, 2010
            • MÓNICA, Maria Filomena, Eça de Queirós, Lisboa, Quetzal Editores, 2009
            • GUERRA DA CAL, Ernesto, Lengua e estilo de Eça de Queiroz. Apéndice. Bibliografía queirociana sistemática y anotada e iconografía artística del hombre y la obra, Coimbra, Por Ordem da Universidade, 1975-1984, 6 vols
            • GUERRA DA CAL, Ernesto, Língua e estilo de Eça de Queiroz, 4a ed., Coimbra, Liv. Almedina, 1981

             

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                    • Cursos de formação;
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